sábado, 2 de maio de 2009

Konstantinos Kaváfis




Este poeta grego nasceu em Alexandria.Sua poesia é repleta de referências mitologicas da Grécia antiga.É curioso notar que a poesia de Kaváfis só foi publicada em livro postumamente. Poucos a conheciam durante sua vida. Ele imprimia folhas soltas com poemas e as distribuía entre amigos. A obra também não é extensa: são apenas 154 poemas — o suficiente para colocar o autor na condição de poeta mais significativo do modernismo grego.




À ESPERA DOS BÁRBAROS
O que esperamos na ágora reunidos?


É que os bárbaros chegam hoje.


Por que tanta apatia no senado?


Os senadores não legislam mais? É que os bárbaros chegam hoje.


Que leis hão de fazer os senadores?


Os bárbaros que chegam as farão.


Por que o imperador se ergueu tão cedo e de coroa solene se assentou em seu trono, à porta magna da cidade?


É que os bárbaros chegam hoje.


O nosso imperador conta saudar o chefe deles.


Tem pronto para dar-lhe um pergaminho no qual estão escritos muitos nomes e títulos.Por que hoje os dois cônsules e os pretores usam togas de púrpura, bordadas,e pulseiras com grandes ametistas e anéis com tais brilhantes e esmeraldas?


Por que hoje empunham bastões tão preciosos de ouro e prata finamente cravejados?


É que os bárbaros chegam hoje, tais coisas os deslumbram.


Por que não vêm os dignos oradores derramar o seu verbo como sempre?


É que os bárbaros chegam hoje e aborrecem arengas, eloquências.


Por que subitamente esta inquietude?(Que seriedade nas fisionomias!)


Por que tão rápido as ruas se esvaziam e todos voltam para casa preocupados?


Porque é já noite, os bárbaros não vêm e gente recém-chegada das fronteiras diz que não há mais bárbaros.


Sem bárbaros o que será de nós?


Ah! eles eram uma solução.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Ele não é somente música...


Primeiro era a música....

veio o teatro e os musicais.

Cronista de uma geração.

Agora ele se refaz

tecendo linhas e recriando o romance brasileiro...

Wellington Saldanha.


"Leite Derramado”, o quarto romance de Chico Buarque, aborda a decadência de um homem de elite, que já na velhice resolve contar a sua história para as enfermeiras do hospital, sua filha e – em última instância – para o próprio leitor. Chico cria o narrador Eulálio d'Assumpção, um misto de Brás Cubas e Dom Casmurro, traçando um panorama da história política do País desde a época do Império. (Revista Bravo)

Raízes de um país "camaleão"...


Enquanto lá fora as horas ardem e o país se dissolve :a classe média acompanha os "caminhos que levam à Índia"...


O Brasil é um país pacífico, brando. Julgamos ser bons a obediência dos regulamentos, dos preceitos abstratos. É necessário que façamos uma espécie de revolução para darmos fim aos resquícios de nossa história colonial e começarmos a traçar uma história nossa, diferente e particular.

Para o autor a ausência de partidos políticos atualmente é um sintoma de nossa inadaptação ao regime legitimamente democrático. Sérgio Buarque critica o Brasil que acredita em fórmulas. Fala quais são os principais elementos constituintes de uma democracia. Com a cordialidade, o brasileiro dificilmente chegará nessa “revolução”, que seria a salvação para a sociedade brasileira atual.

Wellington Saldanha.

Fernando Pessoa